Louis Vuitton · E-commerce · 2013

Como fazer o luxo entrar no e-commerce sem torná-lo mass-market?

Participar da criação do primeiro dispositivo e-commerce mundial de Louis Vuitton, em um momento em que vender uma Maison de luxo online questionava os códigos históricos do retail.

Papel
Estratégia & coordenação de projeto
Empresa
Publicis
Período
2013
Disciplinas
Estratégia digital · E-commerce · Experiência do cliente · Internacional
Interface do e-commerce Louis Vuitton com logotipo, navegação e vitrine de produtos

O contexto

Quando o catálogo se torna transacional.

Antes do projeto, Louis Vuitton já possuía uma presença digital que permitia apresentar seus produtos online. Mas apresentar um produto e permitir sua compra são duas experiências muito diferentes.

A passagem ao e-commerce colocava uma questão fundamental para uma Maison de luxo: como introduzir a transação sem banalizar o produto, a marca ou a experiência?

Na época, muitas marcas de luxo permaneciam prudentes diante do e-commerce. A boutique física concentrava grande parte dos códigos históricos do luxo: aconselhamento, ambiente, mise en scène, exclusividade, relação humana e domínio da experiência.

O digital deveria, portanto, trazer uma nova capacidade comercial sem simplesmente reproduzir as mecânicas de um site comercial tradicional.

O desafio

O problema não era vender online.

A tecnologia que permitia vender online já existia.

A verdadeira dificuldade era cultural e estratégica.

Como permitir que um cliente compre um produto Louis Vuitton à distância conservando os códigos que tornam a experiência da Maison diferente de um e-commerce mass-market?

O projeto deveria responder, em particular, a várias tensões:

  • Exclusividade vs acessibilidade

    O digital torna o produto imediatamente acessível. O luxo repousa, ao contrário, sobre uma forma de distância e de desejabilidade.

  • Catálogo vs desejo

    Exibir mais produtos não significa necessariamente criar mais desejo.

  • Transação vs experiência

    Adicionar um carrinho e um pagamento não basta para criar uma experiência de luxo.

  • Digital vs Maison

    O site não deveria ser percebido como um simples canal de vendas adicional, mas como uma nova expressão digital de Louis Vuitton.

A mudança de paradigma

Do « site comercial » à « Digital Maison ».

A questão era não partir do e-commerce para depois tentar aplicar a ele os códigos do luxo. Era preciso fazer o inverso.

Partir da identidade e dos padrões da Maison, e então determinar como esses códigos poderiam ser traduzidos em uma experiência digital. O e-commerce tornava-se assim uma extensão da experiência Louis Vuitton, e não um canal comercial independente.

Essa abordagem mudava a pergunta.

Não se tratava mais apenas de perguntar: « Como vender os produtos Louis Vuitton online? » — mas: « Como uma Maison de luxo pode ser vivida online? »

Meu papel

Estratégia e coordenação.

Na Publicis, meu papel concentrava-se na estratégia e na coordenação do projeto.

Eu participava da definição da abordagem que permitia traduzir os códigos do luxo em uma nova experiência e-commerce, e da coordenação das diferentes dimensões do projeto.

O projeto envolvia, em particular, as equipes de marketing e comunicação de Louis Vuitton, bem como as equipes internacionais.

A abordagem

Repensar o e-commerce a partir dos códigos do luxo.

  1. 01

    Partir da Maison

    A experiência digital deveria começar pelos códigos de Louis Vuitton, e não pelos padrões de um site comercial tradicional.

  2. 02

    Preservar a desejabilidade

    Tornar os produtos compráveis online não deveria suprimir a distância, a mise en scène e a percepção de valor associadas ao luxo.

  3. 03

    Fazer do digital uma experiência

    O site deveria ser pensado como uma Digital Maison: uma experiência de marca que integra a transação — e não uma plataforma transacional à qual se adiciona a marca depois.

  4. 04

    Conservar o controle da experiência

    A experiência e-commerce deveria permanecer coerente com o nível de exigência esperado de uma Maison de luxo, sem lógica promocional.

Uma nova gramática do luxo

Traduzir os códigos do retail em um novo ambiente.

Quatro princípios estratégicos orientavam a reflexão.

  • Desejabilidade

    O produto permanece apresentado como um objeto de desejo, não como uma simples referência de catálogo.

  • Apresentação

    A maneira de mostrar o produto torna-se tão importante quanto a possibilidade de comprá-lo.

  • Exclusividade

    A passagem ao digital não deve significar abandonar os códigos de raridade e de valor.

  • Serviço

    A transação digital deve permanecer coerente com o nível de relação esperado de uma Maison de luxo.

O principal arbítrio

O cliente já não precisava necessariamente se deslocar para comprar luxo.

Uma das mudanças fundamentais era comportamental.

A capacidade de comprar produtos muito caros online já não era, em si mesma, uma barreira intransponível. Os novos clientes habituados ao digital começavam a considerar a internet como um ambiente natural para descobrir, considerar e comprar produtos de alto padrão.

A questão tornava-se menos « Um cliente pode comprar um produto de luxo online? » — e mais « Como fazer com que ele possa fazê-lo sem que a experiência perca o que lhe dá valor? »

É esse deslocamento que tornava o projeto estratégico.

Internacional

Uma experiência mundial, uma mesma Maison.

O projeto tinha uma dimensão mundial.

Um dos desafios de coordenação era, portanto, fazer evoluir a experiência digital mantendo uma forte coerência com a marca e seus padrões internacionais.

As equipes de marketing e comunicação, assim como as equipes internacionais, faziam parte dos principais interlocutores do projeto.

O que foi criado

Mais do que um novo canal de vendas.

O projeto permitiu fazer evoluir a presença digital de Louis Vuitton de uma lógica principalmente editorial e de catálogo para uma verdadeira experiência e-commerce.

Mas seu alcance ultrapassava a adição de uma funcionalidade transacional.

O projeto participava de uma evolução mais profunda: considerar o digital como um novo ambiente no qual os códigos de uma Maison de luxo podiam ser expressos, vividos e comercializados.

Por que era complexo

Uma transformação cultural antes de ser tecnológica.

A complexidade do projeto não residia unicamente na criação de um e-commerce internacional. Ela residia na necessidade de fazer evoluir um modelo histórico sem questionar os fundamentos da Maison.

Era preciso compreender simultaneamente dimensões muito diferentes — e é exatamente nesse tipo de tensão que a estratégia se torna determinante.

  • A lógica do luxo
  • As expectativas de uma nova geração de clientes
  • As restrições do digital
  • Os desafios do retail
  • A coerência internacional
  • Os imperativos comerciais

Contribuição

O que este projeto demonstra.

  • 01

    Transformar sem banalizar

    Fazer evoluir um modelo histórico sem perder o que constitui o seu valor.

  • 02

    Conectar marca e business

    Não tratar a experiência de marca e a performance comercial como dois assuntos separados.

  • 03

    Fazer do digital uma alavanca de transformação

    Considerar o digital como uma mudança de modelo de experiência e de distribuição — não simplesmente como um novo canal.

O que faço hoje

O que eu faço hoje começa frequentemente pelo mesmo problema.

Uma empresa pode ter uma marca forte, uma equipe competente, agências e ferramentas eficazes — e ainda assim carecer de coerência entre todos esses componentes.

Meu papel de CMO Sob Demanda consiste exatamente em criar essa coerência. Compreender o contexto. Identificar as tensões. Definir as prioridades. Alinhar as equipes e os parceiros. Transformar a estratégia em decisões e, depois, em execução.

Uma transformação digital bem-sucedida não consiste em adicionar digital ao existente. Consiste em determinar o que deve mudar — e, sobretudo, o que não deve mudar.

Seu mercado muda. Sua experiência deve mudar com ele?

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